Sobre o que uma Portuguesa sabe sobre nós

Sei que por questões de segurança em não estar divulgando e-mails de outras pessoas, poderia eu enviar esta mensagem com Cco, mas o fato de ter ficado emudecido diante de tantas verdades sem poder contestar nenhuma delas, era necessário que todos soubesse entre si de quem eu destinaria o conhecimento da missiva.
Entre os meus contatos tem representantes de vários seguimentos da nossa sociedade, acredito que pessoas com capacidade de discernimento apurado, que não cometem essas "atrapalhadas" que estamos acostumados a ver de alguns representantes e ídolos do povo, com conhecimento das verdades que foram mencionados na carta da Dra. Mafalda Carvalho. Interessante é que as pessoas distantes, geograficamente do nosso país conseguem enxergar coisas que nós aqui bem de perto não vemos nem o vulto, por comodidade, conveniência ou subserviência. Dentre os senhores destaco um que ergueu a bandeira da educação como uma maneira de produzir a transformação que esse país tanto precisa, me permita a informalidade, CRISTOVÃO BUARQUE, é uma pena que a falta do conhecimento encontre abrigo na maioria dos brasileiros, sim pois é a maioria que decide!, aliado ao "aceleramento de crescimento" que nos impomos deixando para trás nossa história ou àqueles que a fizeram, como se o Brasil fosse descoberto em 2002. Ao cortarmos ou ignorarmos as raízes de uma árvore estamos condenando-a a morte ou melhor executando a sentença. por mais espoliado que foi o Brasil quando colônia de Portugal, temos com eles laços que foram construídos ao longo da história.

O que mais me chama atenção na carta é que, além da ignorância sobre o país Luso, o desenvolvimento sustentável que tanto buscamos e comentamos nos últimos anos já existe por lá. Num mundo antropizado e ecologicamente degradado, a busca de energias alternativas deixam der ser desenvolvimento e transforma-se numa necessidade imperativa e vital para sobrevivência dos seres; mensalões, dólares em cuecas e outros desmandos, embora repugnantes, é fichinha para importância ambiental que urge ações imediatas e coerentes.
Não é possível continuarmos mais ignorantes nas questões ambientais e promover uma renovação na nossa cultura e entendermos de uma vez por todas que nossa arrogância está nos matando aos poucos. Não é possível ir na contra-mão arrotando aos quatro cantos a descoberta de uma fonte energética poluente, que trouxe os maiores prejuízos ambientais da história do mundo, enquanto a ordem mundial é a busca de energias alternativas, limpas, renováveis e ambientalmente viáveis. É possível que meus conceitos não passem além desse e-mail e nem representem nada na história, mas na minha consciência terei o alento de ter sido acordado e não ter guardado só para mim. Pelo menos possa servir de reflexão sobre a necessidade de mudar ainda que seja alto o preço.


Júnior Brito
(esbjr@hotmail.com)

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ESSA É A "POPULARIDADE" QUE O BRASIL TEM NO EXTERIOR QUE ESSE GOVERNO TENTA ESCONDER DA POPULAÇÃO BRASILEIRA !!
Carta de uma Dra. Portuguesa para Maitê Proença

Antes de lerem a carta da Dra. Mafalda Carvalho, Professora Doutora da Universidade de Coimbra, endereçada à Maitê Proença, algumas observações sobre as razões da missivista:

1) Maitê Proença disse no programa "Saia Justa" umas gracinhas sobre a inteligência dos portugueses. Fez comentários descabidos sobre a História de Portugal, sobre tradições portuguesas que ela desconhece, sobre o estuário do Rio Tejo, reduziu Sintra a uma vilazinha, criticou e ridicularizou o atendimento a seu PC pelo pessoal do hotel onde estava hospedada... e por aí afora.
2) O programa passa em Portugal e causou um grande mal estar lá na "terrinha".
Quando foi execrada pelos portugueses, no seu pedido de desculpas ainda disse que o povo Português não tem senso de humor. Que foi "apenas" uma brincadeirinha.
3) É o que dá quando a pessoa fala sem conhecimento de causa. Esta professora portuguesa, além de escrever muito bem, acabou com a Maitê Proença e, de quebra, com os nossos representantes em Brasília, protagonistas de um vasto anedotário.
4) Leia até o fim, pois a postura da Professora é excelente e nós... temos que ficar caladinhos...
5) É isso que dá, alguém despreparado emitir conceitos sobre assuntos que não domina, com apoio dos alienados das redes de TV Brasileira, que se consideram o máximo em cultura...
6) E temos que engolir calados e com humildade o desabafo dessa senhora portuguesa, generalizando e nivelando todos os brasileiros. Mesmo porque ela não diz nenhuma inverdade.
7) A que ponto chegamos! Não temos mais nem o direito de nos indignar. Pobre Brasil! É o declínio moral de uma Nação.
CARTA-RESPOSTA DE UMA PROFESSORA E DOUTORA PORTUGUESA PARA MAITÉ PROENÇA
Exma. Senhora:
Foi com indignação que vi a ‘peça cómica’ que fez em Portugal e passou no programa Saia Justa em que participa. Não que me espante que o tenha feito – está à altura da imagem que há muito tenho de si, pelo que me tem sido dado ver pelos seus desempenhos – mas sim pelo facto da TV Globo ter permitido que tal ignorância fosse para o ar.
Só para que possa, se conseguir, ficar um pouco mais esclarecida: A ‘vilazinha’ de Sintra é património da Humanidade, classificada pela UNESCO e unanimemente reconhecida como uma das mais belas e bem preservadas cidades históricas do mundo;
Em Portugal, onde existem pessoas que olham para o mouse do seu computador como se de uma capivara se tratasse, foi onde foi inventado o serviço pré-pago de telefones móveis (os celulares) – não existia nenhum no mundo que sequer se aproximasse e foi também o que inventou o sistema de passagem nas portagens (pedagios, se preferir), sem ter que parar – quando passar por alguma, sem ter que ficar na fila, lembre-se que deve isso aos portugueses.
É um dos países do Mundo com maior taxa de penetração de computadores e serviços de internet em ambiente doméstico. É o único país do mundo onde TODAS as crianças que frequentam a escola têm acesso directo a um computador (no próprio estabelecimento de ensino) – e em Portugal TODAS as crianças vão à escola... Muitas delas até têm um computador próprio, para seu uso exclusivo, oferecido ou parcialmente financiado pelo Ministério da Educação – já ouviu falar do Magalhães? É natural que não... mas saiba que é uma criação nossa, que está a ser adquirida por outros países. Recomendo-o vivamente – é muito simples e adequado para quem tem poucos conhecimentos de informática.
Somos tão inovadores em matéria de utilização de tecnologia informática e web nas escolas, que o nosso caso foi recomendado por especialistas americanos, como exemplo a seguir, a Barack Obama, que é só o Presidente dos Estados Unidos – ao Sr. Lula da Silva tal não seria oportuno, porque ele considera que a Escola não é determinante no sucesso das pessoas (e, no Brasil, a julgar pelo próprio, tem toda a razão).
A internet à velocidade de 1 Mega, em Portugal há muito que é considerada obsoleta – eu percebo que não entenda porquê, porque no Brasil é hoje anunciada como o grande factor diferenciador a transmissão por cabo, que já não nos interessa. Já estamos noutra – estamos entre os países do mundo com a rede de fibra óptica mais desenvolvida. E nesse contexto 1 Mega é mesmo uma brincadeira.
O ditador a que se refere – o Salazar – governou, infelizmente, ‘mais de 20 anos’, mas para a próxima, para ser mais precisa, diga que foram 48 (INFELIZMENTE, é mais do dobro de 20). Ainda assim, e apesar do muito dano que nos causou a sua governação, nós, portugueses, conseguimos em 35 anos reduzir praticamente a ZERO a taxa de analfabetos e baixar para cifras irrisórias o nível de mortalidade infantil e de mulheres no parto, onde estamos entre os melhores do mundo.
Criar uma rede viária que é das mais avançadas do mundo – em Portugal, sem exceder os limites de velocidade e sem correr risco de vida, fazemos 300 km em duas horas e meia (daria tanto jeito que no Brasil também fosse assim!).
Melhorar muito o nível de vida das pessoas, promovendo salários e condições de trabalho condignos. Temos ainda muito para fazer nesta matéria, mas já não temos pessoas fechadas em elevadores, cuja função é apenas carregar no botão do andar pretendido – cada um de nós sabe como fazê-lo e aproveitamos as pessoas para trabalhos mais estimulantes e úteis; também já não temos trabalhadores agrícolas em regime de escravatura – cada pessoa aqui tem um salário, não trabalha a troco de um prato de comida.
Colocar-nos na vanguarda mundial das energias renováveis, menos poluentes, mais preservadoras do planeta; enquanto uns continuam a escavar petróleo, nós estamos a instalar o maior parque de energia eólica do mundo (é a energia produzida a partir do vento).
Poderia também explicar-lhe quem foi Camões, Fernando Pessoa, etc., cujos túmulos viu no Mosteiro dos Jerónimos, mas eles merecem muito mais.
Ah!, já agora, deixe-me dizer-lhe também que num ponto estou muito de acordo consigo: temos muito pouco sentido de humor. É verdade. Não acharíamos graça nenhuma se tivéssemos deputados a receber mesada para votarem num certo sentido, não nos divertiria muito se encontrassem dirigentes políticos com dinheiro na cueca, não nos faria rir ter senadores a construir palácios megalómanos à conta de sobre-facturação do Estado, não encontramos piada quando os políticos favorecem familiares e usam o seu poder em benefício próprio. Ficaríamos, pelo contrário, tão furiosos, que os colocaríamos na cadeia. Veja só – quanta falta de humor. Mas, pelo contrário, fazem-me rir as sessões plenárias do senado brasileiro. Aqui em Portugal , e estou certa que em toda a Europa, tal daria um excelente programa de humor.
Que estranho, não é?
Para terminar só uma sugestão: deixe o humor para quem no Brasil o sabe fazer com competência (e há humoristas muito bons no Brasil). Como alternativa, não sei o que lhe sugerir, porque ainda não a vi fazer nada que verdadeiramente me indicasse talento...
Peço desculpa por não poder contribuir.

Mafalda Carvalho - Professora Doutora da Universidade de Coimbra